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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
São rosas, senhor!
O Milagre das Rosas
D. Isabel de Aragão foi, e é ainda, a mais popular rainha de Portugal. A mulher de D. Dinis é conhecida como Rainha Santa Isabel, santa de muitos altares por esse país fora e lendária pelos muitos prodígios que o povo lhe atribui, entre os quais o célebre milagre das rosas.
Tinha doze anos, quando veio para Portugal para casar com D. Dinis, que muito a amou. Trazia consigo a fama de excepcionais virtudes que a natureza acrescentara aos dotes físicos de uma beleza invulgar, calma e equilibrada. O rei-poeta ficou tão maravilhado que lhe fez tantas doações de senhorios de terra como nenhuma outra rainha portuguesa até então possuíra.
Porém, D. Isabel não foi feliz, porque D. Dinis depressa a trocou por várias outras mulheres, de quem tinha filhos que trazia para a corte. Quase esquecida pelo marido, a rainha procurou manter, sempre, uma serenidade exemplar e tratou, frequentemente, de apaziguar os ódios e lutas que as intrigas palacianas acendiam no filho, D. Afonso IV, e no próprio rei.
O célebre milagre das rosas aconteceu numa época em que D. Dinis pôs cobro àquilo que dizia ser um esbanjamento do tesouro público, por sua mulher.
Foi D. Dinis avisado por um homem do Paço que no dia seguinte, contrariando as ordens reais, sairia D. Isabel com ouro e prata para distribuir pelos pobres. Exaltado, o rei resolveu que ao outro dia iria surpreender a Rainha, quando ela fosse a sair com o seu carregamento de esmolas.
Na dia seguinte, numa gélida manhã de sol de Janeiro, estava já D. Isabel com as aias no jardim, trazendo a ponta do manto recolhida e plena de moedas, quando surgiu D. Dinis, fingindo-se encontrado. Empalideceu a rainha, receosa do que diria o marido se descobrisse o dinheiro que trazia.
Saudaram-se cortesmente e D. Dinis perguntou:
- Onde ides, senhora, tão pela manhã?
- Enfeitar os altares do Convento de Santa Cruz, meu senhor!
- E que levais no regaço, minha rainha?
D. Isabel hesitou por instantes antes de responder:
- São rosas, senhor!
- Rosas, senhora rainha? - gritou cheio de cólera D. Dinis. - Rosas, em Janeiro?! Quereis, sem dúvida, enganar-me!
Digna e muito lentamente, largando a ponta do manto, respondeu D. Isabel:
- Senhor, não mente uma rainha de Portugal!
E todos viram cair-lhe do regaço, do lugar onde sabiam só haver moedas, uma belíssima chuva de rosas brancas.
sábado, 2 de janeiro de 2016
Verdes são os campos... E algumas flores também
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem
Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Meu Coração é um Enorme Estrado
Meu Coração é um Enorme Estrado
Conclusão a sucata !... Fiz o cálculo,
Saiu-me certo, fui elogiado...
A microscópio de desilusões
Findei, prolixo nas minúcias fúteis...
Minhas conclusões práticas, inúteis...
Minhas conclusões teóricas, confusões...
Que teorias há para quem sente
O cérebro quebrar-se, como um dente
Dum pente de mendigo que emigrou ?
Fecho o caderno dos apontamentos
E faço riscos moles e cinzentos
Nas costas do envelope do que sou...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Saiu-me certo, fui elogiado...
Meu coração é um enorme estrado
Onde se expõe um pequeno animálculo...A microscópio de desilusões
Findei, prolixo nas minúcias fúteis...
Minhas conclusões práticas, inúteis...
Minhas conclusões teóricas, confusões...
Que teorias há para quem sente
O cérebro quebrar-se, como um dente
Dum pente de mendigo que emigrou ?
Fecho o caderno dos apontamentos
E faço riscos moles e cinzentos
Nas costas do envelope do que sou...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
domingo, 27 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Ver com o coração
Apenas se vê bem com o coração, pois nas horas graves os olhos ficam cegos.
Antoine de Saint-Exupéry
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
terça-feira, 10 de novembro de 2015
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
domingo, 8 de novembro de 2015
sábado, 7 de novembro de 2015
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
terça-feira, 3 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
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