segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Meu Coração é um Enorme Estrado


Meu Coração é um Enorme Estrado


Conclusão a sucata !... Fiz o cálculo,
Saiu-me certo, fui elogiado...
Meu coração é um enorme estrado 
Onde se expõe um pequeno animálculo...

A microscópio de desilusões
Findei, prolixo nas minúcias fúteis...
Minhas conclusões práticas, inúteis...
Minhas conclusões teóricas, confusões...

Que teorias há para quem sente
O cérebro quebrar-se, como um dente
Dum pente de mendigo que emigrou ?

Fecho o caderno dos apontamentos
E faço riscos moles e cinzentos
Nas costas do envelope do que sou...

Álvaro de Campos, in "Poemas" 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Rendinhas da avó


Quando as rendas da vovó viram colares...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Falavam-me de amor


Feliz Natal!

Falavam-me de Amor


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia, in 'O Dilúvio e a Pomba' 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Viver simplesmente


Grande e nobre é sempre Viver simplesmente.

Ricardo Reis

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Ver com o coração

Apenas se vê bem com o coração, pois nas horas graves os olhos ficam cegos.

Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 20 de dezembro de 2015

sábado, 19 de dezembro de 2015