segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estrelas e flores



Esta toalhinha foi feita de quadrados de linho com uma barra em croché à volta. Ao pegar todos os quadrados forma uma estrela ou flor aos cantos. No meio de cada quadrado flor bordada à mão a cheio e ponto areia. No fim dos quadrados pegados fiz uma renda à volta para terminar a flor e fazer o remate final.

domingo, 3 de abril de 2011

A preto e branco

Bases para panelas, tachos..., decoradas com découpage


No teu poema


No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonhos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.


José Luís Tinoco



sábado, 2 de abril de 2011

Que mimosinhos!

Aproveitei uns pedacinhos de linho para fazer isto! Servem para cobrir um copo de água ou levar numa bandeja pequenina algo: uma bebida, uma tigelinha com bombons, uma taça com bolinhos...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Árvores em flor


Poema das árvores


As árvores crescem sós. E a sós florescem.


Começam por ser nada. Pouco a pouco

se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.


Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,

e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.


Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,

e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,

e os frutos dão sementes,

e as sementes preparam novas árvores.


E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.

Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.

Sós.

De dia e de noite.

Sempre sós.


Os animais são outra coisa.

Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,

fazem amor e ódio, e vão à vida

como se nada fosse.


As árvores, não.

Solitárias, as árvores,

exauram terra e sol silenciosamente.

Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;

com o vento soltam ais como se suspirassem;

e gemem, mas a queixa não é sua.


Sós, sempre sós.

Nas planícies, nos montes, nas florestas,

A crescer e a florir sem consciência.


Virtude vegetal viver a sós

E entretanto dar flores.



António Gedeão


quarta-feira, 30 de março de 2011

Onde está o gato?


Quem há-de abrir a porta ao gato
quando eu morrer?

Sempre que pode
foge p'rá rua
cheira o passeio
e volta p'ra trás,
mas ao defrontar-se com a porta fechada
(pobre do gato!)
mia com raiva
desesperada.

Deixo-o sofrer
que o sofrimento tem sua paga, e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre para mim
como acorre a mulher aos braços do amante.
Pego ao colo e acaricio-o
num gesto lento,
vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos,
olhos semi-cerrados, em êxtase,
ronronando.

Repito a festa,vagarosamente,
do alto da cabeça até ao fim da cauda.
Ele aperta as maxilas,
cerra os olhos,
abre as narinas, e rosna,
rosna deliquescente,abraça-me e adormece.

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?


António Gedeão


terça-feira, 29 de março de 2011

Cachecóis


Há no firmamento
Um frio lunar.
Um vento nevoento
Vem de ver o mar.

Quase maresia
A hora interroga,
E uma angústia fria
Indistinta voga.

Não sei o que faça,
Não sei o que penso,
O frio não passa
E o tédio é imenso.

Não tenho sentido,
Alma ou intenção...
Estou no meu olvido...
Dorme, coração...


Fernando Pessoa



segunda-feira, 28 de março de 2011

Do baú do enxoval

Fiz esta toalha para aproveitar alguns quadrados de linho. Liguei-os através de uma rendinha feita à mão. O bordado a branco - flores em coroa - a cheio e ponto pé de flor.
Para rematar renda em croché.


Da Realidade

Que renda fez a tarde no jardim,
Que há cedros que parecem de enxoval?
Como é difícil ver o natural
Quando a hora não quer!
Ah! não digas que não ao que os teus olhos
Colham nos dias de irrealidade.
Tudo então é verdade,
Toda a rama parece
Um tecido que tece
A eternidade.

Miguel Torga