terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Toalhas de Baptismo





As orações dos homens

Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cânticos da terra.

No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bússola nos seja,
Senhor, tua palavra.

A melhor segurança
Da nossa íntima paz, Senhor, é esta;
Esta a luz que há de abrir à estância eterna
O fulgido caminho.

Ah ! feliz o que pode,
No extremo adeus às cousas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;

Quando das glórias frias
Que o tempo dá e o mesmo tempo some,
Despida já, — os olhos moribundos
Volta às eternas glórias;

Feliz o que nos lábios,
No coração, na mente põe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.


Machado de Assis

Toalhas em linho bordadas à mão.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Penduricalhices e reciclagem


Beleza



Vem do amor a Beleza,

Como a luz vem da chama.
É lei da natureza:
Queres ser bela? - ama.

Formas de encantar,
Na tela o pincel
As pode pintar;
No bronze o buril
As sabe gravar;
E estátua gentil
Fazer o cinzel
Da pedra mais dura...
Mas Beleza é isso? - Não; só formosura.

Sorrindo entre dores
Ao filho que adora
Inda antes de o ver
- Qual sorri a aurora
Chorando nas flores
Que estão por nascer –
A mãe é a mais bela das obras de Deus.
Se ela ama! - O mais puro do fogo dos céus
Lhe ateia essa chama de luz cristalina:

É a luz divina
Que nunca mudou,
É luz... é a Beleza
Em toda a pureza
Que Deus a criou.


Almeida Garrett

Esta caixinha faz-se assim!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bordado Richelieu

Saquinho para pôr o pijama em linho bordado à mão a richelieu, crivo, cheio...



Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Cecília Meireles

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A Certeza da Data




«Que valem triunfos que não têm data?» Que valem, na verdade? É a certeza da data que imprime realidade às coisas que, sem essa certeza encarnadora, apenas passadas, se desfariam na diafaneidade e impalpabilidade do Tempo. Todo o nosso viver consiste num rolo de sonhos que se vão desprendendo de nós, fugindo para trás como o fumo de uma tocha que corre, depressa adelgaçados, logo esvaídos. São as datas que prendem, retêm esses sonhos: nelas ficam imóveis, em torno delas se condensam, por elas ganham forma e duração.
Foi entrevendo esta verdade que Bossuet, numa grande imagem, comparou os dias felizes de uma existência a pregos de ouro cravados numa parede escura. Esses pregos eram as datas, onde as venturas dessa existência, que já voavam, se iam dissipar na eternidade, ficaram presas, imóveis, resplandecendo como pontos de ouro.

Eça de Queirós


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Recicl'arte


Não há Nada que Resista ao Tempo

Não há nada que resista ao tempo. Como uma grande duna que se vai formando grão a grão, o esquecimento cobre tudo. Ainda há dias pensava nisto a propósito de não sei que afecto. Nisto de duas pessoas julgarem que se amam tresloucadamente, de não terem mutuamente no corpo e no pensamento senão a imagem do outro, e daí a meia dúzia de anos não se lembrarem sequer de que tal amor existiu, cruzarem-se numa rua sem qualquer estremecimento, como dois desconhecidos.
Essa certeza, hoje então, radicou-se ainda mais em mim.
Fui ver a casa onde passei um dos anos cruciais da minha vida de menino. E nem as portas, nem as janelas, nem o panorama em frente me disseram nada. Tinha cá dentro, é certo, uma nebulosa sentimental de tudo aquilo. Mas o concreto, o real, o número de degraus da escada, a cara da senhoria, a significação terrena de tudo aquilo, desaparecera.

Miguel Torga

Esta agenda foi forrada com tecido de uma t-shirt que eu já não vestia e que estava prestes a servir de esfregão ou a ir para o lixo. Dei-lhe um toque especial com a renda de bordado inglês de uma blusa que também já não usava.



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Recicl'arte


Para fazer estes brincos usei a técnica explicada aqui! São necessárias 4 cápsulas, 2 pérolas de vidro, duas folhinhas prateadas... Furei as quatro cápsulas, depois de as colar, ficando com duas faces.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Recicl'arte

Achate com um martelo as cápsulas de café Nespresso, depois enfeite com pérolas e fio de cobre. Forre as cápsulas do avesso, colando pelica ou feltro e deixando uma pequena abertura para passar o fio de couro de grossura média. Prenda as cápsulas ao couro e remate no final de cada cápsula com duas ou três voltas de fio de cobre.