quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Oh minha costureirinha...



Oh minha costureirinha,
tens agulha e tens didal.
Só te falta a tesourinha
pra talhar's o avental.

Cancioneiro popular


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Menina à janela

Quando eu era pequena, ofereceram-me um jogo de dominó em marfim. Passávamos longos serões a jogar, pois era novidade. Depois, foram rareando as jogadas e também as peças... Outro dia, andava a arrumar o sótão com a minha mãe e encontrámos apenas duas peças. A minha mãe disse-me que o melhor seria colocá-las no lixo... Afinal, duas peças de dominó serviriam para quê? Fiquei a olhar para elas uns breves momentos e acabei por colocá-las no bolso das calças... Por lá estiveram, até que me surgiu esta ideia: transformar as peças em "medalhões"! E aqui está um colar com uma peça bem original! Que acham?
Pintei o dominó, criando um fundo com cores suaves desde o verde, azul, dourado, rosa esbatendo o mais possível, depois com um carimbo fiz o desenho a preto e retoquei-o. Depois de seco envernizei. Era necessário, agora, furar a peça! Tarefa não muito do meu agrado! E... lá ficou o dominó a descansar à espera que uma ideia luminosa surgisse! Tive algumas ideias... mas esta foi a que mais me agradou: colei uma peça de osso da cor do marfim e com arame dourado fiz uns arabescos com o alicate e à mão, depois foi só pendurar o "medalhão" num fio de couro.


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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Que cheirinho!

Sabonete decorado (découpage com papel de arroz), finalizado com purpurina e verniz de vitral



Atitude

Minha esperança perdeu seu nome...

Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.


Cecília Meireles

domingo, 23 de janeiro de 2011

Fazer caixinha!

Esqueço do Quanto me Ensinaram

Deito-me ao comprido na erva.
E esqueço do quanto me ensinaram.
O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio,
O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa.
O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos.
O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava.

Alberto Caeiro

Caixas de madeira com estanho

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Aqui há gato!


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pérolas e ametistas

Pérolas de rio, ametistas e peças prateadas em arame memória.


O Que Alguém Disse

"Refugia-te na Arte" diz-me Alguém

"Eleva-te num vôo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal,
Olhando-te a ti própria com desdém.

Só é grande e perfeito o que nos vem
Do que em nós é Divino e imortal!
Cega de luz e tonta de ideal
Busca em ti a Verdade e em mais ninguém!"

No poente doirado como a chama
Estas palavras morrem... E n'Aquele
Que é triste, como eu, fico a pensar...

O poente tem alma: sente e ama!
E, porque o sol é cor dos olhos d'Ele,
Eu fico olhando o sol, a soluçar...

Florbela Espanca

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pérolas em flor

As Minhas Rosas

Sim! a minha ventura quer dar felicidade;
Não é isso que deseja toda a ventura?
Quereis colher as minhas rosas?
Baixai-vos então, escondei-vos,
Entre as rochas e os espinheiros,
E chupai muitas vezes os dedos.
Porque a minha ventura é maligna,
Porque a minha ventura é pérfida.
Quereis apanhar as minhas rosas?


Friedrich Nietzsche